Talvez por inveja, também eu , quase fui picado por uma pico de jaca . Dizem os Amazônidas que ela é noctívaga, mas,não acho que isto seja um defeito. Então, certa noite no acampamento, uma intrometida se alojou num estivado sôbre o qual montaram um armariozinho com minhas coisas. Ao abri-lo, cheguei a sentir o trepidar nervoso de derradeiro aviso, um serpentear sísmico. Os peões não são ecologistas e acham que cada um pode fazer o que quiser com seu surucucu . Executaram a coitada, humilhantemente , a pauladas apenas porque ela ou ele, me ameaçara. Ora, sabe-se que cobra só morde de boca fechada, além de esta ter sido muito bonita.
Na sua crônica saiu publicado, inadvertidamente sururucu . Não é por implicância não, é que convém fazer de tudo para não ofendê-la como cutucá-la com vara curta, grafar seu nome erradamente, e como atestam suas vítimas, pisar no rabo dela. No que nos toca não altera nada. Porém, na língua tupi, em que foi batizada, e assim com direito de precedência, é com um ru apenas, e quando faz exame de próstata o macho dá o dobro do trabalho. Em tempo: ela é suruca, isto é, tem o rabo curto e grosso.
À Etimologia de tal palavrão é de encucar. De imediato poderíamos ir a um dicionário etimológico, mas Enciclopédias não sabem tanto quanto nós. A solução é dissecar as palavras. Por exemplo, uma palavra com 4r, como sururu, é alemã, com certeza. Já esta com 4 sílabas, 4u é coisa de índio (urutu, só botaram 3u e jararacuçu, que nem isto tem, são nossos daqui desta região): Bundas de fora, um atrás do outro, dança em fila de elefantes. Não sou indigenista, mas, parece que aqueles que usam botoques e tembetás, infelizmente, são daqui desta região.
Ter 2c é o que faz a surucucu ser tão valentona, disseram-me na Amazônia.
Ao contrário do que uma análise atabalhoada pode sugerir , não tem nada a ver com cuculiforme, cujo representante mais famoso é o cuco, tanto que deu seu nome à sua classe e a relógio. Dizem que é por causa da onomatopéia arremedadora, mas, não acredite nisto. A culpa é da Ornitologia.
Não sou ofiólogo também mas, suspeita-se que quem achou primeiro que estas cobras pareciam com sururucu bem que poderia serem os curuaias que habitam o Rio Curuá, afluente do Iriri no Pará. Aliás, por aí moram num surucucual danado, os também venenosíssimos índios araras que em 1975 atacaram minha turma, matando 3 dos 6. Não sou antropólago também, mas não se sabe como falharam na estratégia de ataque que eliminaria todos. Eu era o 7º, não morri ainda.
quinta-feira, 18 de março de 2010
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