Desde criança, eu já tinha certeza que sim. Tinha até muito medo deles. Morria de medo de encontrar um bichão que você já sabe, pois os retratos deles estão em qualquer revistinha de quadrinhos, berrando no caminho, com uma serra nas costas que ia até o rabo, desde o cabo. Barrigudo suficiente para caber um cavalo com montaria, espada, elmos, mas como estava sempre com fome, uma criancinha pela frente, ele não enjeitava, assadinha e goela, um petisco.
Já rapazinho, vim, a saber, que aquela língua de fogo, igual à dos carros de guerra dos alemães nas guerras mundiais, era produzido simples assim: O bicho expele um líquido, acho que e o suco gástrico, quando está com raiva, sob pressão, que em contato com o oxigênio do ar se incendeia espontaneamente, transformando tudo em dióxido de carbono, pela frente é claro, mas,não sei por qual extremidade sai um cheiro de ovo podre danado,que dizem que é ácido sulfídrico e óxidos de enxofre. Não sou químico nem tenho análises químicas e assim não posso explicar como o bicho transforma proteínas em mercaptanas, a função química combustível.
Uma versão mais antiga, a de antes da lei da evolução, de como funciona esta usina de combustível, admite que se processe uma fermentação anaeróbica de matéria orgânica que produz gás metano essencialmente. Mas, é absurda demais. Nunca vi vaca riscando um palito de fósforo, que é necessário para dar início à reação exotérmica de combustão.
A 3° versão é defendida principalmente pelos mecânicos. É muito complexa e no fim, depende também da mesma fonte inicial de energia livre do fósforo, que por sua vez depende da energia do atrito entre a cabeça do fósforo e uma lixa seca (não pode ser a língua do bicho). A matéria prima, o calcário, não é problema, pois dragões moram nos terrenos cársticos, isto é, nas cavernas e ao ingerir as paredes disponibilizariam o carbonato de cálcio. Em seu estômago, que é uma fornalha, obtem-se o carbeto de cálcio, mais conhecido como carbureto. A partir daí era só tomar uma aguinha e nesta reação há liberação de acetileno, que pega fogo como no maçarico. Acho esta versão muito fantasiosa.
O reservatório de combustível é o próprio estômago ou êle tem algum botijão apropriado para isto? Será que fica sempre irascível por causa de azia?
Quando criança, eu tinha vontade de matar um que mantinha seqüestrada uma prima vizinha. Naquela época, eram protegidos pela lei da evolução de Darwin. Eu queria dissecar um para saber como funcionam e que quem sabe, encontrar uma princesinha para casar e um elmo que sempre sonhei em usar.
Muitos acreditam que a mula-sem-cabeça é de outra espécie, ameaçada de extinção e que o IBAMA deve cuidar. Também tem êste hábito condenável de ir bafejando fogo por aí. É um animal ignívomo. Ter boca e não ter cabeça é uma coisa horrível, reconheço quando vejo o meu retrato. Por isto é que queria um elmo.
Os dragões que vi na minha infância eram encantadores e habitavam cavernas.
Aqui nesta região de Ressaquinha, as rochas são muito cristalinas, metamorfisadas e sem cavernas. Ficou difícil a fossilização, os recentes são muito tímidos, e nunca se deixam ver.
Não podemos acreditar em tudo o que nos dizem.
sexta-feira, 5 de março de 2010
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