sexta-feira, 26 de março de 2010

Adendo 01 a "A Arte De Perfurar Água"

É consenso universal que a integridade ambiental da Amazônia é estratégica para a manutenção do equilíbrio ecológico do mundo. Para tanto, foi feito com toda a competência possível um bem esmerado zoneamento agroindustrial do País. Tenta-se convencer os amazônidas de que o lucro é preservar. Impõe-se-lhes comportamento penoso: Não desmatar, não minerar, não criar gado, nãos...
Que moral têm os exoamazônidas para solicitar-lhes contribuir se ao distribuir o que se tem ou que virá a ter, fundos como os do petróleo, privilegia-se estados, indevidamente apelidados de produtores mas, que são apenas ricos felizardos litorânios?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Prezado Cronista

Talvez por inveja, também eu , quase fui picado por uma pico de jaca . Dizem os Amazônidas que ela é noctívaga, mas,não acho que isto seja um defeito. Então, certa noite no acampamento, uma intrometida se alojou num estivado sôbre o qual montaram um armariozinho com minhas coisas. Ao abri-lo, cheguei a sentir o trepidar nervoso de derradeiro aviso, um serpentear sísmico. Os peões não são ecologistas e acham que cada um pode fazer o que quiser com seu surucucu . Executaram a coitada, humilhantemente , a pauladas apenas porque ela ou ele, me ameaçara. Ora, sabe-se que cobra só morde de boca fechada, além de esta ter sido muito bonita.
Na sua crônica saiu publicado, inadvertidamente sururucu . Não é por implicância não, é que convém fazer de tudo para não ofendê-la como cutucá-la com vara curta, grafar seu nome erradamente, e como atestam suas vítimas, pisar no rabo dela. No que nos toca não altera nada. Porém, na língua tupi, em que foi batizada, e assim com direito de precedência, é com um ru apenas, e quando faz exame de próstata o macho dá o dobro do trabalho. Em tempo: ela é suruca, isto é, tem o rabo curto e grosso.
À Etimologia de tal palavrão é de encucar. De imediato poderíamos ir a um dicionário etimológico, mas Enciclopédias não sabem tanto quanto nós. A solução é dissecar as palavras. Por exemplo, uma palavra com 4r, como sururu, é alemã, com certeza. Já esta com 4 sílabas, 4u é coisa de índio (urutu, só botaram 3u e jararacuçu, que nem isto tem, são nossos daqui desta região): Bundas de fora, um atrás do outro, dança em fila de elefantes. Não sou indigenista, mas, parece que aqueles que usam botoques e tembetás, infelizmente, são daqui desta região.
Ter 2c é o que faz a surucucu ser tão valentona, disseram-me na Amazônia.
Ao contrário do que uma análise atabalhoada pode sugerir , não tem nada a ver com cuculiforme, cujo representante mais famoso é o cuco, tanto que deu seu nome à sua classe e a relógio. Dizem que é por causa da onomatopéia arremedadora, mas, não acredite nisto. A culpa é da Ornitologia.
Não sou ofiólogo também mas, suspeita-se que quem achou primeiro que estas cobras pareciam com sururucu bem que poderia serem os curuaias que habitam o Rio Curuá, afluente do Iriri no Pará. Aliás, por aí moram num surucucual danado, os também venenosíssimos índios araras que em 1975 atacaram minha turma, matando 3 dos 6. Não sou antropólago também, mas não se sabe como falharam na estratégia de ataque que eliminaria todos. Eu era o 7º, não morri ainda.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dragões existem mesmo

Desde criança, eu já tinha certeza que sim. Tinha até muito medo deles. Morria de medo de encontrar um bichão que você já sabe, pois os retratos deles estão em qualquer revistinha de quadrinhos, berrando no caminho, com uma serra nas costas que ia até o rabo, desde o cabo. Barrigudo suficiente para caber um cavalo com montaria, espada, elmos, mas como estava sempre com fome, uma criancinha pela frente, ele não enjeitava, assadinha e goela, um petisco.
Já rapazinho, vim, a saber, que aquela língua de fogo, igual à dos carros de guerra dos alemães nas guerras mundiais, era produzido simples assim: O bicho expele um líquido, acho que e o suco gástrico, quando está com raiva, sob pressão, que em contato com o oxigênio do ar se incendeia espontaneamente, transformando tudo em dióxido de carbono, pela frente é claro, mas,não sei por qual extremidade sai um cheiro de ovo podre danado,que dizem que é ácido sulfídrico e óxidos de enxofre. Não sou químico nem tenho análises químicas e assim não posso explicar como o bicho transforma proteínas em mercaptanas, a função química combustível.
Uma versão mais antiga, a de antes da lei da evolução, de como funciona esta usina de combustível, admite que se processe uma fermentação anaeróbica de matéria orgânica que produz gás metano essencialmente. Mas, é absurda demais. Nunca vi vaca riscando um palito de fósforo, que é necessário para dar início à reação exotérmica de combustão.
A 3° versão é defendida principalmente pelos mecânicos. É muito complexa e no fim, depende também da mesma fonte inicial de energia livre do fósforo, que por sua vez depende da energia do atrito entre a cabeça do fósforo e uma lixa seca (não pode ser a língua do bicho). A matéria prima, o calcário, não é problema, pois dragões moram nos terrenos cársticos, isto é, nas cavernas e ao ingerir as paredes disponibilizariam o carbonato de cálcio. Em seu estômago, que é uma fornalha, obtem-se o carbeto de cálcio, mais conhecido como carbureto. A partir daí era só tomar uma aguinha e nesta reação há liberação de acetileno, que pega fogo como no maçarico. Acho esta versão muito fantasiosa.
O reservatório de combustível é o próprio estômago ou êle tem algum botijão apropriado para isto? Será que fica sempre irascível por causa de azia?
Quando criança, eu tinha vontade de matar um que mantinha seqüestrada uma prima vizinha. Naquela época, eram protegidos pela lei da evolução de Darwin. Eu queria dissecar um para saber como funcionam e que quem sabe, encontrar uma princesinha para casar e um elmo que sempre sonhei em usar.
Muitos acreditam que a mula-sem-cabeça é de outra espécie, ameaçada de extinção e que o IBAMA deve cuidar. Também tem êste hábito condenável de ir bafejando fogo por aí. É um animal ignívomo. Ter boca e não ter cabeça é uma coisa horrível, reconheço quando vejo o meu retrato. Por isto é que queria um elmo.
Os dragões que vi na minha infância eram encantadores e habitavam cavernas.
Aqui nesta região de Ressaquinha, as rochas são muito cristalinas, metamorfisadas e sem cavernas. Ficou difícil a fossilização, os recentes são muito tímidos, e nunca se deixam ver.

Não podemos acreditar em tudo o que nos dizem.